Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

das páginas

Há algum tempo que eu queria comprar uma capa de tecido para proteger o meu actual livro na mesa de cabeceira, mas como o meu bolso não é ilimitado (e o meu investimento de Agosto, em livros, foi generoso), decidi tirar a máquina de costura da dispensa e fazer esta peça. Tem o tamanho padrão de um livro editado em Portugal e é adorável o suficiente com aquela renda no exterior. Esta publicação serve de pretexto para dizer que me tornei afiliada da WOOK. Assim, se fizerem alguma compra através do meu ID (basta clicar no botão WOOK que eu vou deixar na barra lateral), eu recebo uma pequena comissão e ficar-vos-ei eternamente agradecida. Se houver por aí alguém na mesma situação que eu, partilhem. Boas leituras!

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ana gonçalves às 21:05
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

das duas décadas

Não foi há muito tempo. A mãe diz que a rádio alertava as quatro da manhã; quiçá seja esse o motivo para me considerar uma pessoa madrugadora. Nunca fui uma criança extrovertida. Sempre gostei do meu espaço, do meu silêncio, do meu imaginário. "Costumavas dizer que ias ter cavalos brancos e castelos", que pena não os ter. No infantário, escondia a carne no guardanapo por ser "demasiado rija". Nunca gostei de marmelada; era a única criança com o hábito de me dirigir à cozinha para pedir um pão com manteiga no lanche da manhã. Cortei o cabelo a uma das minhas barbies porque ter apenas um macho para tantas fêmeas magoava-me o coração. Aí, eu prendia as minhas donzelas às pernas das cadeiras, com atacadores, para que elas fossem resgatadas pelo cavaleiro andante. Não foi há muito tempo. O pai diz que a minha mão pequenina apertava o indicador dele com tanta força que, quando eu o largava suavemente, ele julgava sempre que eu já estava a dormir - "Mentira. Eu tentava escapar, mas tu voltavas a apertar o meu dedo.". Quis ser bióloga marinha, mas nunca aprendi realmente a nadar. Quando faço de conta que (nado), vou ao fundo se me fizerem rir. Na verdade, não há nada que eu consiga fazer se estiver a rir a plenos pulmões; tenho um riso histérico e não o nego ao mundo. Não gosto de ervilhas; empadão de carne e uma fatia de bolo de bolacha e sou eternamente vossa. Não foi há muito tempo. Ainda bebo leite com chocolate de palhinha e de olhos fechados, quando são seis e meia da manhã e eu necessito ir à faculdade. Sou apaixonada por girassóis. Devoro livros, quando entendo que chegou a altura de. Há palavras que me incomodam e eu evito escrevê-las; tijolo é uma delas. Habituei-me a um diminutivo e o segundo nome caiu em desuso. A mãe ainda me aconchega os lençóis, após um beijo de boa noite. Não é nem o mínimo, mas é a coisa mais intima que já escrevi. São duas décadas de vida, desde criança que os parafusos estão ligeiramente desapertados. Não foi há muito tempo. 


ana gonçalves às 16:30
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

joana, joana

Odeio esperar pelo autocarro. Se há em mim muita paciência, parece que sobra pouca para este tipo de situação. Como tal, enquanto bufava pela demora, fez-se ouvir um doce e inocente Joaaana, Joaaana. Não era comigo, mas a curiosidade bateu mais forte e não resisti em procurar a fonte sonora. Quando o cântico se fez novamente ouvir, gritando incessantemente pela Joana, Joana, descobri uma menina pequenina, de caracóis largos, em uma das varandas do prédio mais próximo. Olhei-a e lancei-lhe um sorriso. Tão rapidamente como o recebeu, retribuiu-me com uma gargalhada delicada e envergonhada. Voltei a dirigir o olhar para a estrada, já disse que odeio esperar pelo autocarro? Não foi longo o silêncio. Novamente, o meu aparelho auditivo foi preenchido por um Joana, Joana. Observei a pequena de soslaio e não me mexi. Foi o suficiente para que a sua voz se tornasse impaciente e se repetisse, meiga como só as crianças sabem. Foi aí que percebi que, possivelmente, eu era a Joana. Repeti a acção inicial e olhei-a. Quando me percebeu, encolheu-se e sorriu. Não sei durante quanto tempo o processo Joana, Joana demorou, nem quantas vezes repetimos a mesma cena, mas foi o suficiente para uma dentada no coração. Odeio esperar pelo autocarro. Fui Joana, foi excepção. 


ana gonçalves às 21:45
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"For what it’s worth: it’s never too late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There’s no time limit, stop whenever you want. You can change or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it."

 

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